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Alumínio na Zona Franca: como funciona a cadeia de importação em Manaus

Codexa Comércio Exterior
Perfis de alumínio estocados em distribuidor de Manaus

Manaus tem uma relação particular com o alumínio. A cidade que mais cresce verticalmente na Amazônia constrói com um material cuja cadeia mistura produção nacional, importação de acessórios e um regime aduaneiro que não existe em nenhum outro lugar do país. Entender essa cadeia é entender boa parte do custo de uma esquadria, e este artigo percorre o caminho inteiro, do lingote ao balcão.

Como a Zona Franca de Manaus muda a conta do alumínio

A Zona Franca de Manaus foi criada pela Lei 3.173/1957 e ganhou o desenho atual com o Decreto-Lei 288/1967, que também deu origem à SUFRAMA. O modelo oferece redução ou suspensão de tributos federais para mercadorias que entram na região, com o objetivo declarado de atrair indústria. O prazo de vigência foi prorrogado até 2073 pela Emenda Constitucional 83/2014, e a Emenda 132/2023, da reforma tributária, manteve esse prazo.

Os números mostram que o desenho funcionou em escala. O Polo Industrial de Manaus fechou 2025 com faturamento de R$ 227,67 bilhões, alta de 11% sobre 2024, com 553 empresas em operação e cerca de 131 mil empregos diretos em dezembro, segundo a SUFRAMA. As importações do polo seguiram em alta no início de 2026: o Painel da Economia Amazonense, do CIEAM, registrou crescimento de 5,7% no primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2025.

Para a cadeia do alumínio, isso significa duas coisas. As indústrias instaladas no polo importam insumos com tratamento tributário favorecido, desde que cumpram o processo produtivo básico. E o comércio local convive com regras próprias de ingresso de mercadoria, que afetam prazo e custo de reposição.

O que é nacional e o que é importado na cadeia

O Brasil é forte na base da cadeia. Segundo a ABAL, a produção nacional de alumínio primário chegou a 1,18 milhão de toneladas em 2025, o maior volume desde 2013, distribuída em três plantas. O país é o terceiro maior produtor mundial de alumina, e o Pará responde por 89,5% da bauxita nacional, com a refinaria de Barcarena entre as maiores do mundo.

O que a estatística também mostra é que a ponta da cadeia importa cada vez mais. Os produtos importados alcançaram 12% do mercado interno de transformados em 2025, contra 11,2% em 2024, e a China respondeu por 26,9% das importações do setor. Na prática de quem trabalha com esquadria, essa fração aparece em itens específicos:

  • Perfis padrão, em grande parte extrudados no Brasil;
  • Acessórios e ferragens como roldanas, fechos, escovas e kits, com presença importada relevante;
  • Painéis ACM e chapas especiais, com mistura de produção nacional e importação;
  • Ferramentas e máquinas de corte, predominantemente importadas.

Ou seja: mesmo quem compra alumínio nacional depende de uma corrente de importação para entregar a obra. Quando o câmbio mexe ou um porto congestiona do outro lado do mundo, o preço do kit da janela sente.

Quem faz essa cadeia chegar ao balcão

Entre o porto e a obra existe uma camada que o consumidor raramente vê. São os distribuidores regionais, que carregam estoque, diluem o custo da importação e financiam a ponta. Em Manaus, o Grupo CAA opera nessa posição desde 1996, reunindo indústria, centro de distribuição e lojas, e mantém um blog técnico voltado ao serralheiro e ao marceneiro, o que é raro no setor na região.

É essa camada que responde à pergunta mais comum de quem cresce no ofício: vale a pena importar direto? Para compra avulsa, o estoque local vence pelo prazo. Para consumo em escala, em construtora, indústria ou revenda, a importação direta pode virar a conta, desde que a operação seja bem montada.

O caminho de uma importação direta em Manaus

Quem decide importar em nome próprio passa por cinco etapas.

  1. Habilitação no Siscomex, conhecida no mercado como Radar. É o cadastro que autoriza a empresa a importar, com submodalidades Expressa, Limitada e Ilimitada. O limite não depende do faturamento, e sim da capacidade financeira estimada pela Receita a partir do recolhimento de tributos dos últimos anos.
  2. Classificação fiscal (NCM), que define tributo e exigências de cada item. Erro aqui é a causa mais comum de carga parada. Vale conferir a tabela NCM de produtos comuns e o passo a passo de como classificar a NCM.
  3. Câmbio, o pagamento ao fornecedor em moeda estrangeira, com fechamento regulado pelo Banco Central.
  4. Logística internacional, com frete marítimo ou aéreo e as particularidades de transbordo da rota amazônica.
  5. Desembaraço aduaneiro, a conferência documental e a liberação da carga pela Receita Federal. Para entender a etapa por dentro, veja o que é desembaraço aduaneiro.

Vale uma distinção que confunde muita gente. O desembaraço é o controle da Receita sobre a mercadoria estrangeira. O internamento é outra coisa: é o processo da SUFRAMA que conclui o ingresso de mercadoria nacional na área incentivada e formaliza o direito do remetente de fora da região aos benefícios da venda para a Zona Franca. Quem traz material do exterior lida com o primeiro; quem compra de São Paulo lida com o segundo.

Rodar essas etapas com fornecedores separados, uma corretora para o câmbio, um despachante para a aduana e um agente para a carga, multiplica interlocutores e pontos de erro. A alternativa é concentrar a operação: a Codexa reúne câmbio, desembaraço aduaneiro e cotação de frete internacional em uma única plataforma com IA, o que reduz retrabalho documental e dá visibilidade de ponta a ponta.

Perguntas frequentes

O que é a Zona Franca de Manaus?

É uma área de livre comércio criada pela Lei 3.173/1957 e reformulada pelo Decreto-Lei 288/1967, com incentivos fiscais federais para indústria e comércio instalados na região. A vigência atual vai até 2073.

Alumínio no Brasil é importado ou nacional?

A base da cadeia é nacional: 1,18 milhão de toneladas de alumínio primário em 2025, com o Pará concentrando 89,5% da bauxita. Na ponta, os importados chegaram a 12% do mercado interno de transformados, com peso maior em acessórios, ferragens, painéis e ferramentas.

O que é preciso para importar direto em Manaus?

Habilitação no Siscomex, classificação NCM correta, fechamento de câmbio, contratação do frete internacional e desembaraço aduaneiro.

Qual a diferença entre desembaraço e internamento?

O desembaraço é o controle da Receita Federal sobre mercadoria estrangeira que entra no país. O internamento é o processo da SUFRAMA que conclui o ingresso de mercadoria nacional na área incentivada.

Quando vale importar direto em vez de comprar de distribuidor?

Quando o consumo é previsível, o volume fecha um contêiner ou quase, e existe um responsável pela operação. Para compra avulsa, o distribuidor local tende a vencer pela disponibilidade imediata.

Existe antidumping sobre alumínio no Brasil?

Não há medida vigente sobre perfis extrudados nem sobre painéis compostos de alumínio. As medidas recentes de defesa comercial em produtos planos revestidos são de aço, não de alumínio, e é comum confundir as duas coisas. A lista oficial de medidas em vigor fica no MDIC.

Conclusão

A cadeia do alumínio em Manaus é um retrato do comércio exterior brasileiro: base produtiva nacional forte, dependência importada nas pontas e um regime aduaneiro único no meio. Quem compra em escala e quer testar a conta da importação direta pode começar pela etapa que mais trava operações. Fale com a Codexa e veja como funciona o desembaraço aduaneiro integrado ao câmbio e à logística em uma só plataforma.

Fontes oficiais

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